Ficção, Literatura Portuguesa, Romance, Tordo

O Bom Inverno de João Tordo

Plot summary:
Quando o narrador, um escritor prematuramente frustrado e hipocondríaco, viaja até Budapeste para um encontro literário, está longe de imaginar até onde a literatura o pode levar. Coxo, portador de uma bengala, e planeando uma viagem rápida e sem contratempos, acaba por conhecer Vincenzo Gentile, um escritor italiano mais jovem, mais enérgico, e muito pouco sensato, que o convence a ir da Hungria até Itália, onde um famoso produtor de cinema tem uma casa de província no meio de um bosque, escondida de olhares curiosos, e onde passa a temporada de Verão à qual chama, enigmaticamente, de O Bom Inverno. O produtor, Don Metzger, tem duas obsessões: cinema e balões de ar quente. Entre personagens inusitadas, estranhos acontecimentos, e um corpo que o atraiçoa constantemente, o narrador apercebe-se que em casa de Metzger as coisas não são bem o que parecem. Depois de uma noite agitada, aquilo que podia parecer uma comédia transforma-se em tragédia: Metzger é encontrado morto no seu próprio lago. Porém, cada um dos doze presentes tem uma versão diferente dos acontecimentos. Andrés Bosco, um catalão enorme e ameaçador, que constrói os balões de ar quente de Metzger, toma nas suas mãos a tarefa de descobrir o culpado e isola os presentes na casa do bosque. Assustadas, frágeis, e egoístas, as personagens começam a desabar, atraiçoando-se e acusando-se mutuamente, sob a influência do carismático e perigoso Bosco, que desaparece para o interior do bosque, dando início a um cerco. E, um a um, os protagonistas vão ser confrontados com os seus piores medos, num pesadelo assassino que parece só poder terminar quando não sobrar ninguém para contar a história.

Review:
Hoje trago-vos mais um novo autor da minha estante e que me surpreendeu bastante pela positiva!

Esta história começa por descrever a vida atormentada de um protagonista anónimo, um escritor solitário e coxo que me conquistou desde o início, não me perguntem a razão, mas qualquer história que envolva um escritor passa logo para a minha secção de livros preferidos.

Mas o enredo não passa apenas pelo escritor solitário, vão aparecendo outras personagens que levam à melhor parte do livro…. Por vezes, faz lembrar aqueles thrillers a que estamos habituados (Um morto e dez de pessoas fechadas numa casa….. QUEM COMETEU O CRIME?).

Tudo é trágico e triste e ao longo da leitura temos sempre a sensação de que todas as personagens anseam pela perfeição e pela felicidade, o que chega mesmo a causar-nos frustação. Esta frustação provém da dor e do medo constante das personagens e porque até nós, leitores, chegamos a torcer por eles.

O que me fez gostar ainda mais desta história foi mesmo a evolução da personagem principal, do escritor solitário. Aquele que no início parecia estar no fim do poço, no desenvolvimento da história acaba por ser a cabeça mais sã no meio daquela gente toda. O escritor solitário que no início chega a dar-nos pena, acaba por nos surpreender bastante.

Quanto à escrita de João Tordo é bastante acessível e fácil de ler, o ritmo da história é rápido e com bastante diálogo à mistura. João Tordo dá-nos espaço e tempo para imaginar-nos o que nos está a ser contado e um dos pontos que contribuiu bastante para isso foram alguns pensamentos de rodapé. Estes pensamentos permitem-nos uma interpretação sobre o pode ser ou não ser real.

Dei 5 estrelas!

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