Calvino, Clássicos, Fantasia, Ficção, Literatura, Review

Cidades Invisíveis de Italo Calvino

Plot summary:
Marco Polo fala a Kublai Kan das cidades do Ocidente, maravilhando o imperador mongol com as suas descrições. Estas cidades, no entanto, existem apenas na imaginação do mercador veneziano: a sua vida encontra-se apenas destro das suas palavras, uma narrativa capaz de criar mundos, mas que não tem forças para destruir «o inferno dos vivos».
Este livro tem o lirismo dos livros de poemas, poemas que por vezes descrevem cidades e outras vezes a forma de pensar e de ser dos seus habitantes. Invertendo os papéis do Livro das Maravilhas, através do qual Marco Polo revelou o Oriente ao mundo ocidental, Calvino arquitectou o livro que o estabeleceria como uma das referências incontornáveis da literatura pós-moderna.

Review:
Neste livro seguimos o diálogo entre o imperador Kunlai Khan e o explorador Marco Polo. O último durante este diálogo tem a missão de descrever todas as cidades que visitou na sua peregrinação.
A leitura é bastante descritiva, o que para mim se tornou num ponto positivo, conseguimos mesmo imaginar e experienciar as cidades que Marco Polo descreve.
O explorador aborda 55 cidades imaginárias que estão categorizadas em grupos: memória, desejo, sinais, nomes, mortos, contínuas, escondidas e etc.

Adorei o jogo de palavras e o conceito de imaginação, onde evidenciam que depois de vermos/fazermos as coisas, estas apenas existem na nossa mente e nos nossos sonhos. Ninguém volta a ver as coisas como nós as vemos, nem como elas eram. Isto porque cada pessoa vê de acordo com as suas referências mentais e a partir do momento que vemos alguma coisa passa logo a ser passado.

Desta forma, as cidades necessitam que todo o tipo de pessoas as visitem, porque são estas que fazem as cidades. As cidades têm que se adaptar a toda a gente e, por isso, são automaticamente alteradas cada vez que uma pessoa diferente as visita.

Quando alguém nos descreve uma cidade, é importante percebermos que estamos a perguntar como essa pessoa vê a cidade e como a cidade a vê a ela. O que isto quer dizer é que cada pessoa responde da forma que se vê a si própria no mundo e como o mundo a vê. É esta questão que torna este livro tão interessante.

5 estrelas! Esta foi realmente uma leitura de sensações!

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