Isabel Figueiredo, Literatura Portuguesa, Review

A Gorda de Isabel Figueiredo

Plot summary:
Maria Luísa, a heroína deste romance, é uma bela rapariga, inteligente, boa aluna, voluntariosa e com uma forte personalidade. Mas é gorda. E isto, esta característica física, incomoda-a de tal modo que coloca tudo o resto em causa. Na adolescência sofre, e aguenta em silêncio, as piadas e os insultos dos colegas, fica esquecida, ao lado da mais feia das suas colegas, no baile dos finalistas do colégio. Mas não desiste, não se verga, e vai em frente, gorda, à procura de uma vida que valha a pena viver.

Este é um dos melhores livros que se escreveu em Portugal nos últimos anos.

Review:
A escrita deste livro é bastante acessível e agarra-nos logo desde o início.

Vamos acompanhando a vida de Maria Luísa, a gorda, desde a sua chegada a Portugal até à atualidade. Os seus pais inicialmente ficaram em África e mandaram-na para a casa de familiares.
Através de saltos no tempo vamos compreendendo a razão dos seus sentimentos tão depressivos em relação à sua imagem.

A personagem principal, Maria Luísa, é um tanto depressiva, mas conquistou-me totalmente. Chegamos mesmo a sentir uma grande vontade de falar com ela.
Neste livro, cada capítulo é uma parte da sua casa, a cozinha, o hall e etc., onde a personagem principal partilha os momentos que realmente a marcaram em cada recanto.

Esta é uma história bastante crua e direta, senti mesmo que a autora não teve “papas na língua”, demonstrando que muitas vezes não são coisas da nossa cabeça. Maria Luísa sentia-se mesmo mal no corpo em que vivia, mas a culpa não era apenas dela. As pessoas que a rodeavam também a faziam sentir mal e, por isso, a maior parte do tempo sofria em silêncio.

Durante a leitura gostei bastante do conceito de perda/morte, a personagem estava constantemente num debate/reflexão consigo própria sobre o “quero que vás…. não quero que vás….”.

Por fim, penso que a mensagem mais importante deste livro é que, a Maria Luísa, deixou de ser gorda (sabemos logo no início do livro), mas não foi por isso que deixou de ser quem ela era. O que ainda nos leva a uma parte ainda mais interessante, as suas roupas. Esta achava que elas, as roupas, eram as únicas que a aceitavam pelo facto de lhe servirem quando era gorda, por isso, não se conseguia desfazer delas!

5 estrelas, deve ser lido por todos! Já tenho outro livro desta autora na minha lista to-read, Cadernos de Memórias Coloniais.

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