Mistério, Review, Tartt

The Secret History by Donna Tartt

‘Death os the mother of beauty,’ said Henry.
‘And what is beauty?’
‘Terror.’

Nunca tinha lido Donna Tartt, comecei a ler este livro com grandes expetativas e admito que estas se concretizaram. Esta leitura agarrou-me da primeira à última página.
 
Posso até afirmar que este é o mistério mais diferente e irreverente que já li. Normalmente os mistérios centram-se muito num momento em específico e não tanto no que o rodeia. Neste livro a história está dividida em duas partes que exploram o antes e o depois de um crime.
 
Começamos por conhecer o narrador desta história, Richard, um rapaz que fala sobre as suas memórias na casas dos pais e depois da sua transição para a universidade muito longe de casa. Na universidade segue estudos clássicos e  junta-se a um grupo de intelectuais que fazem parte do curso. É a partir deste momento que toda a história começa a desenrolar-se. E nem me vou prolongar mais porque este livro não merece qualquer tipo de spoiler.
 
As personagens principais desta história – Richard, Camilla, Charles, Henry, Francis e Henry – estão muito bem caraterizadas e desenvolvidas. É incrível a forma como a autora escreveu e idealizou a progressão destas personagens, aparentemente são pessoas normais, mas ao longo da história vamos assistindo a uma total desintegração de cada uma delas. Esta degradação segue uma série de acontecimentos com várias interligações entre eles, mas tudo acaba por fazer sentido. Sente-se realmente o desespero e a paranoia e apesar do lado negro revelado nestas personagens, à medida que fui lendo comecei a ter pena e a querer que na página seguinte tudo lhes corresse bem.
Foi esta evolução das personagens na história que mais me fascinou, nada ficou por explicar e é contado de uma forma bastante realista.
 
Para algumas pessoas pode ser um livro muito longo, mas para mim não foi, a leitura é muito fluída e a escrita é bastante acessível.
As 629 páginas valem muito a pena. 5 estrelas!
Recomendo vivamente esta leitura e estou ansiosa por ler o Goldfinch, desta mesma autora!

 

“(…) it is dangerous to ignore the existence of the irrational. The more cultivated a person is, the more intelligent, the more repressed, then the more he needs some method of channeling the primitive impulses he’s worked so hard to subdue. Otherwise those power old forces will mass and strengthen until they are violent enough to break free, more violent for the delay, often strong enough to sweep the will away entirely.”
 
Clássicos, Contos, Dostoiévski, Ficção, Literatura, Review

O Sonho dum Homem Ridículo & O Ladrão Honesto de Fiódor Dostoiévski

Esta edição contém duas histórias, O Sonho dum Homem Ridículo e O Ladrão Honesto. Para ser sincera nem sabia que tinha as duas histórias, no resumo do livro só encontramos a primeira.

O Sonho dum Homem Ridículo é a história de um homem que pensa suicidar-se. Ele tem a certeza de que o quer fazer, mas o encontro com uma menina fez com que não conseguisse parar de pensar nela e deixasse de pensar tanto no suicídio. Este encontro chocou-me bastante devido à forma fria como ele lidou com a menina.

O resto desta história centra-se num sonho que, para ele, foi muito real. O mais interessante neste sonho é que ele acaba mesmo por se matar, no entanto, continua a pensar e a ouvir o mundo à sua volta. Para ele a morte seria uma libertação, mas neste sonho não o é, ele continua consciente após a morte.
Estas experiências alteram a sua forma de ver a vida/morte.

Dostoiévski cria nesta história um cenário utópico em que o sonho aparece para libertar o homem.

Clássicos, Filosofia, Literatura, Review, Tolstoy

A Morte de Ivan Ilitch de Leo Tolstoy

Este é o meu primeiro livro de Tolstoy e comecei da melhor forma.

No início deste livro encontramos uma crítica forte à sociedade e que ainda encontramos nos nossos dias, as pessoas tentam sempre mostrar mais do que aquilo que realmente têm, vivendo, assim, acima das suas possibilidades. É com a personagem principal desta história, Ivan Ilitch, que esta crítica se revela. Este não tinha grandes possibilidades económicas, mas tentou a todo o custo que a sua nova casa ficasse bem apresentável. É interessante perceber que a preocupação não se centra na confortabilidade da família, mas sim nos convidados de alta sociedade que tencionava receber.

Ao trabalhar na sua casa acaba por ficar gravemente ferido e é a partir deste momento que toda a história se desenvolve. Ninguém sabe exatamente o que os ferimentos provocaram a Ilitch e até ao final da narrativa nunca foi realmente diagnosticado.

Este livro tem uma abordagem bastante interessante da morte. Esta abordagem transmite a ideia de que a morte parece que nunca nos toca a nós, como se a morte nos passasse ao lado. Assim, a grande questão deste livro está presente na continuidade da vida ou a morte.

Quotes

Tolstoy, Leo

Procurou o seu terror habitual e não o achou.
«Onde está ela? Que morte?»
Já não tinha medo, porque também a morte já não exista.
Em vez de morte, era a luzinha que ele via.

Tolstoy, Leo, A Morte de Ivan Ilitch