Ficção, Kundera, Review, Romance

O Livro do Riso e do Esquecimento de Milan Kundera

Milan Kundera nasceu em 1929 na República Checa e vive em França desde 1975. Este autor é considerado um dos grandes escritores do século XX. Toda a sua vida é marcada por transformações políticas, tendo em conta que assistiu à invasão soviética na República Checa; fez parte do partido comunista, de onde foi expulso e readmitido uma série de vezes; e, após a Segunda Guerra, Kundera foi perseguido pelo regime comunista, o que resultou no exílio e viu, assim, os seus livros serem proibidos no país.

Todas estas transformações políticas marcam as obras deste autor, onde podemos encontrar temas como a solidão, a sexualidade, o totalitarismo, o comunismo, o riso; o esquecimento; o exílio; etc. O autor envolve todas estas questões em narrativas que abordam o passado e o futuro das sociedades e, por isso, descreve as situações em torno de um humor e ironia que tanto o define. Três obras deste autor já estão incluídas na minha lista de livros-read. Posso afirmar que um dos melhores livros que já li foi mesmo de Milan Kundera, A Insustentável Leveza do Ser. E como os livros dele nunca desiludem, recomendo-vos, hoje, o último livro que li nestas últimas semanas, O Livro do Riso e do Esquecimento.

Plot Summary:
O Livro do Riso e do Esquecimento é uma narrativa entrecortada de erotismo e imagens oníricas. Em sete partes aparentemente autónomas, o autor lança um olhar agudo e amargo sobre o quotidiano da República Checa após a invasão russa de 1968: as desilusões da juventude, a desorientação dos intelectuais, a prepotência dos líderes políticos, tudo converge para o esquecimento, imposto ou voluntário, individual ou coletivo. Como em A Insustentável Leveza do Ser, o mais famoso romance do autor, Kundera articula de forma admirável, muitas vezes invisível, o destino individual dos personagens e o destino coletivo de um povo, a vida ordinária de pessoas comuns e a vida extraordinária da História.

Foi escrito em 1979 e é considerado um romance que engloba vários ensaios de Kundera e está dividido em sete partes. O que mais gostei neste livro foi a mistura de sentimento que este transmite, pois estamos perante a luta de um homem contra o poder e esquecimento.

O ponto mais interessante deste livro (para mim!) e, por isso, aconselho-vos a ler, é como este nos descreve a sociedade. Afirmando que vivemos numa sociedade pré-estabelecida do que é considerado importante e do que não é e que, por isso, vivemos numa ‘ilusão’ que mais tarde se pode virar contra nós. Kundera faz uma referência ao passado e ao futuro que me ficou na cabeça até hoje, este afirma que o futuro é apenas um espaço vazio e que o passado é um espaço cheio de vida que muitas vezes nos chega a ferir. Nesta fase o autor pega em certas personagens para evidenciar como o passado é cheio de vida e que o presente e futuro são vazios. Para uma melhor compreensão, a personagem Tamina que luta todos os dias contra o esquecimento, o esquecimento do seu falecido marido. A todo o custo, esta tenta recuperar as suas memórias escritas sobre a vida que teve e que já não tem, por mais que tente, todos os dias alguma coisa se apaga. Esta é uma das personagens que marca a experiência do exílio.

A escrita deste livro é muito fluída e penso que isto acontece pelo facto de Kundera recorrer a personagens isoladas para explicar como toda uma sociedade é influenciada pela história de um país. Este cria uma narrativa que engloba eventos históricos e a complexidade do ser humano para lidar com eles.

Espero que tenha contribuído para pegarem, imediatamente, num livro de Milan Kundera!

Merecidas 4 estrelas!

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